| Por
Pe. Vitor Galdino Feller
Em 19 de junho de 2009 teve início o Ano Sacerdotal,
convocado por Bento XVI para comemorar o 150º. ano
da morte de São João Maria Vianney. O tema
do ano é: “Fidelidade de Cristo, fidelidade
do sacerdote”. Pergunta-se: podem os padres ser tão
fiéis como Jesus, na missão de anunciar o
Reino de Deus e revelar a todos o rosto amoroso do Pai?
Nos Evangelhos é frequente o advérbio comparativo
“como” nos convites feitos aos discípulos
de Jesus: “amai-vos como eu vos amei”, “sede
perfeitos, misericordiosos, como o Pai do céu”.
A medida do amor e da santidade do cristão é
o próprio Deus. Uma medida infinita.
Não há limites para o amor. Não há
um teto para a santidade. É possível, sim,
que os padres sejam fiéis como o Cristo. Deus não
exige o impossível. O que pede é a fidelidade
até o fim. É conhecida a frase: “Deus
não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”.
Na abertura aos apelos de Deus, manifestados nos sinais
dos tempos e nas exigências do próximo, os
padres podem, sim, tornar-se santos, perfeitos, misericordiosos.
Serve de exemplo São Vianney, o Cura d’Ars,
que transformou sua cidadezinha, de um povo de impenitentes
e ímpios em uma comunidade de santos.
Os padres vêm das mesmas famílias e comunidades
de onde vêm os médicos, professores, garagistas,
operários. Não há uma mina de ouro
de onde se tiram os padres, burilados, perfeitos. O breve
período do seminário – entre sete e
10 anos – não consegue transformá-los
em santos. São feitos da matéria do mundo.
Pela diversidade social de sua proveniência e pela
multiplicidade de contatos que mantêm, nas alegrias
e tristezas, em batizados e sepultamentos, se poderia dizer
que são o sismógrafo da sociedade. Neles se
mede o grau de virtude e de pecado da sociedade. Padecem
dos mesmos limites, provações, dificuldades,
doenças de sua geração. Deixam transparecer
em si a riqueza moral e espiritual de seu povo. São
vasos de barro, expressão que São Paulo, o
apóstolo das nações, usou pra si. A
beleza deles não está neles, mas no tesouro
que carregam.
O cristianismo é a religião de um Deus que
veio ao nosso encontro, fazendo-se humano e servindo-se
de seres humanos como continuadores de seu projeto. Ele
quer que suas bênçãos nos sejam dadas
por meio de pessoas humanas. Assim, Deus se serve da fragilidade
dos padres, para continuar a executar, no meio da humanidade,
seu plano de salvação. Deus não usa
medidor de santidade para escolher os padres. Na história
do cristianismo, não só da Igreja Católica,
houve muitos mediadores da graça divina, que foram
pecadores. Mesmo assim, o Evangelho foi anunciado, o Pão
da vida foi entregue a muitos, a vida foi defendida.
Infelizmente, hoje os padres são notícia pelos
pecados de um ou outro. O mal faz notícia, o bem
não! O que é comum não cai no noticiário!
Não é notícia o cotidiano da fidelidade
de inúmeros padres que dão a vida pelo seu
povo, que coordenam atividades pastorais e sociais, que
fazem história em suas pequenas e grandes cidades,
que formam a consciência sadia de famílias
e jovens, que congregam semanalmente o povo para o culto
a Deus. Mas é aí que se vai gerando a fidelidade
e a santidade de muitos padres.
Pe. Vitor Galdino Feller
Diretor e professor de teologia no ITESC - Instituto Teológico
de Santa Catarina.
Fonte:Ano Sacerdotal
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