Por
Alessandro Lima
Biblicamente,
onde encontramos "canonização de santos
mortos", que desde o ano 995 D.C. faz parte da doutrina
católica?
A
canonização dos santos é tão
somente o reconhecimento por parte da Igreja de que uma
pessoa está no céu.
Ora,
será que os apóstolos não criam que
depois da morte e ressurreição de Cristo,
os patriarcas e profetas estavam no céu, na presença
de Deus?
A
própria Escritura dá testemunho de que Abraão
foi considerado justo pelos apóstolos (cf. Rm 4,3-9;
Gl 3,9; Hb 6,15; Tg 2,23). Este reconhecimento de que
Abraão estava no céu com Deus é um
exemplo de canonização na própria
Escritura e já na era apostólica.
Outro
exemplo que podemos citar na própria Escritura
é a canonização de Estevão.
Diz a Escritura que era homem cheio do Espírito
Santo (cf. At 6,8). Quando foi martirizado em nome da
Fé em Cristo, viu a Glória do Cristo e pediu
ao Senhor que recebesse o seu espírito (cf. At
7,55-59). Será que Estevão não foi
para o céu? Claro que sim! E foi considerado santo
pelo próprio apóstolo Paulo (cf. At 22,20),
que assistiu a pregação de Estevão
e corroborou com a sua morte. E o bom ladrão que
reconheceu Cristo como seu Salvador e que o próprio
Senhor lprometeu levá-lo ao paraíso (Lc
23,43), por acaso não é outro exemplo de
canonização feita pela própria Escritura?
A
canonização não faz parte da doutrina
católica, mas da práxis católica.
O que faz parte da doutrina católica é a
Comunhão dos Santos, não confundir. A práxis
católica de se canonizar santos não apareceu
em 995 como sugere o autor da pergunta. Depois das provas
bíblicas que mostramos, citaremos por exemplo as
obras conhecidas na antiguidade como hagiógrafos
(atas da vida dos santos). Os hagiógrafos testificavam
o reconhecimento pela Igreja de que uma determinada pessoa
ou grupo de pessoas era santo e que já gozava da
presença de Deus.
A
Igreja desde os primeiros séculos reconhecia os
mártires como santos (a exemplo de Estevão,
considerado o primeiro mártir da Igreja). Ser um
mártir da fé era um critério que
não deixava dúvidas se uma pessoa devia
ser considerada santa, isto é, um modelo na fé,
um herói em Cristo e que estava no céu.
Os
hagiógrafos mais citados da antiguidade são
as atas dos mártires de Lião (177 d.C) e
do Martírio de S. Policarpo de Esmirna (250 d.C.),
discípulo de S. João (1).
Como
se vê, a canonização dos santos, isto
é, o reconhecimento de que uma pessoa venceu a
corrida (cf. Cl 2,8) e que está com Deus, é
uma prática que consta na Bíblia e que sempre
foi observada pelos primeiros cristãos.
Notas
(1)
http://www.nabeto.ihshost.com/cocp/fixas/martspolic.htm