Patriarca Sako: reapropriar-nos de nossas terras antes que outros o façam

14 de julho de 2017 às 13:03
Patriarca Sako: reapropriar-nos de nossas terras antes que outros o façam


Bagdá (RV) - “Cessar as contendas internas que provocam divisões e deixar de perder tempo esperando a retomada de posse das próprias terras antes que outros o façam. É tempo de reapropriar-nos das terras de nossos pais e avós, da identidade deles, de sua história e de seu patrimônio.”

Caminho para erradicar o Isis da região é longo e difícil

É a premente advertência do patriarca da Igreja caldeia no Iraque, Dom Louis Raphaël I Sako, numa nota publicada no site do patriarcado, em que ressalta que “o caminho para erradicar o Isis (autoproclamado Estado Islâmico) da região é ainda longo e difícil, a ser percorrido antes de reconstruir aquilo que foi destruído e de alcançar a paz, segurança e estabilidade”.

“O momento que estamos vivendo é um momento histórico e um banco de prova para os cristãos, chamados a renovar seu compromisso ético e moral, a confirmar sua presença, recuperar suas propriedades, exigir uma compensação para suas perdas; obter sua quota de ajudas, e ademais ter a proteção assegurada em colaboração com o governo central iraquiano, o governo regional do Curdistão e a comunidade internacional”, escreve o Primaz da Igreja caldeia.

Unir esforços para facilitar retorno da população deslocada

Entre as pistas de trabalho indicadas pelo Patriarca de Babilônia dos Caldeus destacam-se: “unir os esforços para reconstruir ou reestruturar as habitações e as infraestruturas de modo a facilitar o retorno da população deslocada; criar uma equipe de 7-10 políticos sábios e fiéis, capazes de ser porta-vozes dos cristãos e de assumir a responsabilidade de falar com as pessoas justas a nível nacional e internacional, para além de interesses pessoais, capazes de cooperação e de solidariedade e de comprometer-se de modo eficaz com muçulmanos e outros grupos étnicos na vida pública”.

Por fim, segundo Dom Sako a criação de “um departamento central de informação” poderia “ajudar os cristãos a fazer ouvir a sua voz e a difundir seu sofrimento e suas aspirações. Isso os ajudará a superar as complexidades da realidade atual e a transformar as diferenças em unidade, coesão, solidariedade e participação ativa para o reforço de sua existência de um lado e de outro para promover uma cultura de abertura que ajudará a alcançar a paz, a estabilidade e uma vida digna para eles e para os cidadãos”.

Igreja continua amando e servindo a todas as pessoas

“A Igreja não é um substituto de políticos leais. Ela realiza, sobretudo, um papel vital na vida das pessoas afirmando a verdade acerca das questões políticas, especialmente quando se trata de construir a paz, a justiça e a necessidade de dar uma vida digna a todos os cidadãos, independentemente de sua filiação. A Igreja continua amando e servindo a todas as pessoas, seguindo o exemplo de seu fundador, Jesus Cristo”, lê-se na nota. (RL/Sir)