No último dia 2, o Governo sul-africano
anunciou que até o fim deste ano irá retirar
o visto especial concedido a milhares de cidadãos
zimbabuanos. Trata-se de uma autorização
dada aos zimbabuanos para que eles pudessem residir na
África do Sul sem documentos. "Após
31 de dezembro próximo, todos os zimbabuanos sem
documentos serão tratados como os outros e começarão
a ser expulsos" – declarou um porta-voz do
Governo sul-africano.
"A África do Sul e o Zimbábue
têm relações muito complexas, que
envolvem os partidos no poder nesses países"
– explicou Pe. Mário. O sacerdote se demonstrou
perplexo sobre a atuação destas medidas:
"Acredito que será difícil atuá-las.
O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder
na África do Sul, está dividido entre uma
corrente populista, próxima à oposição
do Presidente de Zimbábue, Robert Mugabe, favorável
à repatriação dos refugiados, e outra,
que quer manter boas relações com os Estados
Unidos. Esta última teme que a expulsão
dos refugiados prejudique as relações, principalmente
econômicas, com os Estados Unidos" –
frisou Pe. Mário.
Na África do Sul vive uma grande
comunidade de zimbabuanos, cerca de 1 milhão e
meio de pessoas que abandonaram seu país por causa
da fome e perseguições políticas.
"O Zimbábue era considerado antes a reserva
de trigo da África Austral ou mesmo a Suíça
da África. A política econômica de
seu Governo fez o país precipitar entre as nações
mais pobres do mundo, com um índice de desemprego
altíssimo e a agricultura arrasada, que faz com
que o Zimbábue hoje, importe gêneros alimentícios
do exterior" – sublinhou o sacerdote escalabriniano.
A presença de um alto número
de refugiados zimbabuanos, aos quais se somam imigrantes
de outros países como Moçambique, provocou
fortes tensões com a população local
da África do Sul. "Nós, missionários,
tentamos tranqüilizar as pessoas e promover projetos
de desenvolvimento em prol dos refugiados e dos sul-africanos,
e explicamos que os zimbabuanos não querem roubar
os empregos dos sul-africanos.
Várias organizações
sul-africanas de defesa dos direitos humanos expressaram
sua oposição contra as medidas de revogação
do visto especial de residência, afirmando temer
a retomada da violência política em Zimbábue,
em coincidência com as eleições de
2011. (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano